Diante de prazos de entrega sem precedentes e custos exorbitantes, a crise na cadeia de suprimentos de transformadores ameaça a espinha dorsal da indústria de energia elétrica, impulsionando apelos urgentes por maior capacidade de produção e soluções inovadoras. Será que a indústria conseguirá superar esse desafio?
Há vários anos, o setor de energia vem alertando freneticamente sobre uma iminente crise na cadeia de suprimentos de transformadores, buscando reforçar a disponibilidade do componente que muitos consideram a espinha dorsal da indústria elétrica. Mas, desde a pandemia da COVID-19, a crise se agravou e se tornou devastadora. Em abril, a empresa global de pesquisa e consultoria Wood Mackenzie alertou que os prazos de entrega de transformadores continuaram em trajetória ascendente e agora estão em 115 a 130 semanas — mais de dois anos — em média. Os prazos de entrega para grandes transformadores, tanto transformadores de potência de subestação quanto transformadores elevadores de gerador (GSU), dispararam para 120 a 210 semanas — ou 2,3 a 4 anos. Ao mesmo tempo, dependendo do tamanho e da aplicação, os preços dos transformadores subiram de 60% a 80% em média desde janeiro de 2020, impulsionados pelo aumento das commodities de matérias-primas. Os preços do aço elétrico de grãos orientados (GOES), embora significativamente voláteis, quase dobraram desde a pandemia, enquanto os preços do cobre subiram mais de 40%.
“Para referência, os prazos de entrega pré-pandemia variavam de 30 a 60 semanas, dependendo das especificações/tamanho e se o transformador havia sido encomendado regularmente ao longo do tempo com um projeto comprovado (permitindo, portanto, que o processo de fabricação fosse simplificado)”, observou a empresa. Agora, “as médias continuam a subir trimestre a trimestre [Figura 1] sem sinais claros de alívio (ou seja, nova capacidade de fabricação) e o crescimento extremo de projetos de energia renovável conectados à rede manterá uma demanda implacável na próxima década”.
